Medellin da "eterna primavera", mas também de contrastes sociais, vista desde o "nosso" 26° andar, na calle 48. com o emblemático edifício Coltejar, e ao fundo os cerros iluminados pelas favelas. Cidade da "eterna primavera" e aspirante à modernidade, não obstante a mancha enorme de favelas que sobem desde o vale cerros acima.

Calle Junin, 15:30, almoçando em La Hacienda uma "bandeja paisa", uma bomba calórica que inclui "carne de rez, chorizo, morcilla, huevo frito, arroz, frijoles, banano frito", depois de uns "antojitos antioquenhos", com limonada de coco e uma surpreendente Club Colômbia, rematado com um arroz con leche e café con panela y canela". Primeira impressão de Medellin excelente, dia lindo, quente, muito verde rodeando a cidade, parques, vallenatos na rua, efeverescência.

O metro de Medellin - o único no país país - é orgulho dos seus habitantes. Aqui não se vê um único papel ou beata no chão, seja na estações seja nas carruagens. Com o cartão Cívica de Medellín qq. residente de um qq. bairro pobre no alto dos cerros que rodeiam a cidade pode apanhar o Metrocable, depois um autocarro que o leva ao Metro de superfície e ir e vir de qualquer lugar, pedalando um bicicleta pública se necessário.

Símbolo da cultura e da segurança o sistema de transporte de Medellin atravessa a área metropolitana ligando o sul ao norte, o norte ao nordeste, o centro ao leste e o leste nordeste.

Subimos no Metrocable - um extraordinário mirador em movimento - até à comuna de Santo Domingo, sempre com um chão de favelas debaixo de nós, e dali continuámos a subir até ao parque Arvi.

Enquanto a Graça permaneceu na estação, dei uma mirada por Santo Domingo que na época de Escobar foi um dos lugares mais castigados pelo narcotráfico, mas que agora é transitável. Regressei são e salvo ao Metrocable.

Debruçada sobre a comuna de Santo Domingo, ergue-se a Biblioteca de Espanha, da autoria de Giancarlo Mazzanti, um dos muitos centros de "acupunctura" socio-cultural localizados no cimo dos cerros em zonas periféricas como forma de desviar a juventude do narcotráfico. O "Edifício das Três Pedras", negro, de formas geométricas, redefine a paisagem do cerro.

No Jardim Botânico, vimos (num concorridíssimo ambiente de famílias domingueiras), o Orquideorama, um ícono da moderna arquitectura latinoamericana, formado por módulos que imitam árvores, coroadas por hexágonos que, por sua vez, imitam colmeias de abelhas. Na feira de artesanato colombiano que aí havia não resistimos a comprar uns "panamás" que, ao contrário do que se pensa, são feitos na Colômbia.

E dali, noutro noutro Metrocable, subimos até ao Parque Arvi, gigantesca área verde onde se faz a pedagogia da salvaguarda ambiental. Como por estes dias a cidade festejava a Feria de las Flores, fiz-me "silletero" para esta foto, na espectativa que alguém me convidasse para o "Desfile de Silleteros" que é o acontecimento principal da Feria.

O metro devolveu-nos à Plaza Botero, museu ao ar livre com 23 enormes estátuas que Fernando Botero ofereceu à sua cidade: gente gordita, um gato, cão, um homem gordo com cabeça de anão a cavalo... e muita animação.

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Na Colômbia, a zona dos bares chama-se "zona rosa". Em Medellin, a zona situa-se em volta Parque Lleras, no bairro de classe média-alta de El Poblado, onde de copo de rum na mão experenciámos a noite medellinense.

"Medellin es como essas matronas de antano, llena de hijas, rezandera, piadosa y posesiva, pero también es madre sedutora, puta, exuberante y fulgurosa. El que se va vuelve, el que reniega se retracta, el que la insulta se disculpa y el que la agradece las paga. Algo muy extrano nos sucede con ella porque a pesar del miedo que nos mete, de las ganas de largarnos que todos alguna vez hemos tenido, a pesar de haberla matado muchas veces, siempre termina ganando."- Jorge Franco, "Rosário Tijeras".

Na região dos tamarindos e do rio Cauca, e a cerca de duas horas de Medellín visitámos Santa Fé de Antioquia, "Pueblo Patrimonio de Colombia", que contrasteia radicalmente com Medellín pelo silêncio, a arquitectura colonial e também em pelo clima.

"Hubo una Antioquia en que las hachas eran / blasones de la estirpe. / una tierra de granos y de espigas, / de cantos y repiques. / Una Antioquia de azules madrugadas / y tardes apacibles." Jorge Robledo Ortiz (1917, Santa Fe de Antioquia - Medellín, 1990)

Antes de me deixar ir pelas ruas estreitas e empedradas de Santa Fé, sentei-me na Praça do Município e deixei-me ir pelos versos "paisanos" de Jorge Robledo: "Soy antioqueño. Visto de alpargatas, Carriel de nutria y ruana montañera; Tengo para el amor las serenatas Y para los rivales mi barbera." Poema "Retrato de un paisa", de Jorge Robledo Ortiz (1917, Santa Fe de Antioquia - Medellín, 1990)

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Ruas estreitas e empedradas, varandas, igrejas coloniais e casas nobres. Esta a rua da Amargura.

"Yo rio De tus cóleras inútiles, oh Río, Oh tú, Bredunco, oh Cauca, de fragoroso Peregrinar por chorreras y rocales -atormentado, indómito y bravío – y de perezas infinitesimales en los remansos de absintias aguas quietas, y de lento girar en espirales, y de cauce limoso! Oh Cauca, oh Cauca Río!" León de Greiff. (Medellín,1895 - Bogotá, 1976)

“¿Le pidieron permiso al río Cauca para hacer su gigantesca y aparatosa obra? ¿Le pidieron permiso a la tierra para horadarla?”. Não - disse-me o rio - que fluia em baixo sob a Ponte do Ocidente. Poema de Myriam Montoya (1963-) Bello, Antioquia, Colombia.

No regresso a Medellin, a estrada proporcionou-nos paisagens abruptas com vegetação exuberante, ou não fosse a Colômbia o segundo país com maior biodiversidade do mundo.