• João Ventura

Panorama de Queens, Nova Iorque

Atualizado: Jan 24

Fazendo de conta que estou em Nova Iorque (à conta da série documental Faz de conta que Nova Iorque é uma cidade, que vou vendo na Netflix), apanho o metro na Grand Central Station, na rua 42, e saio do outro lado do East River, em Queens, onde vou ver no Queens Museum a impressionante maquete Panorama of the City of New York (1964), um modelo gigantesco que mostra #NovaIorque inteira, sobre a qual a escritora #FranLebowitz caminha na série dirigida por #MartinScorsese, com capas cirúrgicas descartáveis a cobrirem-lhe os sapatos.


O Panorama é a peça mais emblemática da coroa do Queens Museum. Concebida como uma celebração da infra-estrutura municipal da cidade em 1964, o projeto foi desenvolvido pelo atelier arquitectura Raymond Lester & Associates, envolvendo uma equipa de 100 pessoas e levou três anos para até ficar concluído. Lester usou fotografias aéreas, mapas e outros materiais. Exposta numa área com mais de 800 metros quadrados, e construída para uma escala de 1:1200, onde uma polegada é igual a 100 pés (2,54cm = 30,48m), o Panorama é uma metrópole em miniatura, representando 895.000 edifícios da cidade construídos antes de 1992, 0e as avenidas, ruas, parques e pontes, que compõem as 273 áreas que se estendem pelos 828.796.195 metros quadrados de Nova Iorque. Os edifícios foram construídos em madeira, plástico e papel pintado à mão, e as pontes em bronze gravado. Os detalhes são tão minuciosos que há até um avião partindo do aeroporto de LaGuardia. E lá estão ainda as Torres Gêmeas destruídos nos ataques de 11 de setembro de 2001.


Embora não me seja permitido caminhar como Fran Lebowitz sobre o East River, a partir da plataforma elevada que rodeia a maquete, é o distrito inteiro onde vivem cerca de 3 milhões de pessoas de 150 nacionalidades que o meu olhar alcança.


A oeste de Queens, alonga-se Long Island City, o bairro nova-iorquino mais hipster, onde a partir do Gantry Plaza State Park se desfruta uma das melhores vistas sobre os arranha-céus de Manhathan no outro lado do East River. Seguindo com o olhar o East River, um pouco mais para noroeste, identifico o bairro Astoria, onde pulsa o coração mediterrânico de Nova Iorque, com uma população de italianos, egípcios, marroquinos e uma enorme comunidade grega. Com uma ligeira rotação do olhar para leste,

abarco Jackson Heights, outro bairro multicultural, com uma Little India onde reside a maior comunidade de siks fora da Índia. Identifico o troço da avenida entre as ruas 72 e 78, e imagino um caminho aromático de carril indiano, arepas colombianas, espetadas de borrego marroquinas. Mais para leste, avisto a movimentada Flushing Main Street, a nova Chinatown de Nova Iorque, habitada por milhares de chineses e coreanos, e imagino-me na Tian Jin Dumpling House saboreando uma generosa dose de 12 Mais para leste, avisto a movimentada Main Street, a nova Chinatown de Nova Iorque, habitada por milhares de chineses e coreanos e imagino-me na Tian Jin Dumpling House saboreando uma generosa dose do melhor shuijiao (dumplings ou bolinhos chineses) pela módica quantia de 6 dólares. Numa grande área verde, descortino o Meadows Corona Park, o maior parque de Queens, desenhado para acolher as feiras mundiais de 1939 e 1964, de que a escultura da Unisfera ainda ali é testemunha. E logo ao lado, o Citi Field, o estádio de baisebol dos Mets. Por fim, é a mim mesmo que me revejo no Queens Museum, perscrutando no Panorama a geografia plausível de Queens.


Deixo o Museu e vou de táxi até ao Gantry Plaza State Park. E apanho o NYC Ferry que, pelo preço de um bilhete de metro (2, 45 euros), me leva num passeio fluvial rumo à margem sul de Manhattan, com várias paragens por Brooklyn, e passando por debaixo das pontes de Williamsburg, Manhattan e Brooklyn, para depois desembarcar no Pier 11, bem perto de Wall Street, onde num futuro pós-pandemia, sem máscara nem distanciamento social, me cruzo com Fran Lebowitz.



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