• João Ventura

Plano de evasão

Atualizado: Jan 3

Quando partimos, não como turistas ocasionais, mas como viajantes, adentrando-nos por mapas por fazer, é útil precavermo-nos com um plano de evasão, recolhendo antecipadamente informação sob os territórios de fuga, mapeando percursos, inventariando paisagens e lugares a visitar, registando intenções, construindo ficções a habitar.

Nesse plano assinalo as cidades nervosas com os seus monumentos, as avenidas da moda cheias de gente convergindo em direcção ao centro. Museus, teatros, exposições e outras iluminações. E também os tugúrios míticos onde depois procurarei o aleph que todas as cidades escondem. A rua artúrica que apenas ao expedicionário é oferecida, mas que só será revelada quando ultrapassar o seu limiar perdido na floresta de banalidades urbanas circundante.

Prodígios e raridades levemente suspeitadas para explorar mais tarde. Passagens. Lentidões. Cafés com mesas de mármore onde se sentaram escritores bebendo "licores fortes como o metal fundido", livrarias de livros estranhos. E labirintos subterrâneos. Estações de metro, porque o metro é sempre uma aventura donde nem todos os que nele penetram regressam, depois, à superfície. Caminhos espalhando em muitas direcções. E ainda, advertências e obrigações. Fusos horários, climas, câmbios, transacções, roamings.

Daqui resulta que a viagem começa por ser uma ficção com lugares, tempos, personagens e acções mesmo antes de começar, para, depois, o viajante explorar nas dobras do mapa sobre o qual caminha as linhas de passagem que permitem habitar a ficção imaginada.



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